domingo, agosto 21, 2016

Nos regressos

Acontece quando volto aos sítios depois de muito tempo. Aquela ansiedade de ver e rever tudo, como se não fosse acordar amanhã.
Acontece nos sítios onde vivi, onde conheço mais sobre os lugares. Foi assim hoje.
Sintra, Galamares, Colares, Mucifal, Praia Grande, Praia das Maças. A Várzea. Toda aquela rendição à Serra, com o Castelo mais visível do que nunca.
E ia no IC19 a pensar que parecem que existem mais prédios, mais casas, a Serra está mais despida mas não há sensação que valha aquela que sinto quando desço até Colares, para ir até à Praia Grande ou Praia das Maças. Já o fiz de carro, bicicleta e até a pé. E em nenhum outro sítio tenho essa sensação de que estou num lugar saído de um livro, com a certeza que aquele é um lugar que desemboca na praia. Não sei se é do verde com as cúpulas dos palacetes, do pinhal com as casas de veraneio, do pequeno eléctrico. Mas há lugares que pedem sempre mais regressos.





quinta-feira, agosto 18, 2016

Sem imagens, sem palavras

Juro por todos os dias da minha vida que sempre me queixar do que vai sucedendo de menos bom nos meus dias vou pensar em todos os "meninos de Aleppo".
Nós não temos problemas temos é uma humanidade reles!

quarta-feira, julho 20, 2016

#19/07/2016 - os que falham

Ainda não acredito. Nunca acreditamos. 
Porque nunca conhecemos verdadeiramente o Eu de cada um dos que nos rodeiam. O nosso também.
Uns dirão cobardia, embrulhada na surpresa, nas interrogações, no desmontar de um puzzle que nunca ficará completo porque grande parte das peças partem com aqueles que nos deixam por opção.
E eu talvez seja a favor dos que partem por opção, seja por desalento, doença, revolta ou rasgo de loucura. Que sejamos nós a decidir até ao último momento! 
Por mais que custe ao egoísmo dos que ficam para trás. Mesmo dos mais queridos, dos que sofrerão com a perda, com a ausência, com a saudade. Dos que falharam também. Porque não foram capazes de resgatar para a vida aqueles que procuram a morte. Em cada dia. Todos os dias. À nossa vista. À vista dos que agora se perguntam "Porquê?". 
Todos falhamos, portanto! 
Os que vão e os que ficam.



terça-feira, julho 12, 2016

As medas

Vi as medas de palha no percurso entre Loureda e Sistelo, na Ecovia de Arcos de Valdevez.
No braseiro das encostas ali repousavam elas, ora com aspecto de terem sido formadas há pouco tempo, ou com aquela palha que denuncia terem passado mais do que um inverno.
Foi então que veio à memória o episódio do pé torcido quando subia a meda para a descer a escorregar. O pé mal pousado, o entorse, duas semanas a esconder o sucedido e um pé sem tornozelo.
A possibilidade de ir a um "endireita" fez-me nunca mais pensar em subir a uma meda de palha.
Até ao domingo passado.



segunda-feira, julho 11, 2016

Para ti, número 1

Que infortúnio esse de quase sempre os melhores do mundo não serem guarda-redes!
E ainda que não levantes, algum dia, essa bota dourada fizeste, mais uma vez, aumentar o fascínio que tenho por esses que guardam a imensidão em forma de rede.
Aqueles que, no tempo de escola, eram quase sempre os mais feios e gordinhos, os tímidos que na hora de guardar as redes se insurgiam de força, ousadia e confiança e sempre nos faziam acreditar que os bravos eram aqueles que em fracções de segundos tinham que predizer a direcção da bola, velocidades e demonstrar acrobacias vencedoras.

Se algum dia fui “devota” de jogadores foi, quase sempre, de guarda-redes. ou não me lembrasse do poster do Baía, em equipamento azul, transformado em altar nos dias de jogo corriam os anos 90.

E se todos aqueles que durante estas últimas semanas avançaram no campo ou te protegeram na rectaguarda merecem hoje o nosso Obrigado, deixa-me que este elogio não vá à trave porque foste confiança e determinação nos momentos em que nos tremiam as pernas, enquanto, ontem, víamos uma França que não nos largava, muito pior que aquela praga de traças. E quanto mais lances existiam em que crianças e adultos tapavam a cara para fazerem maior a pausa do sofrimento, tu eras o gigante das traves.

Uns dizem que foi sorte mas tamanha convicção a defender não se faz apenas dessa doação do que é favorável.
Foi também não ter medo, arriscar e voar sobre todo aquele emaranhado de puxões, zigue-zagues quando se bate um canto, ou um livre ou quando tudo que se coloca em cima do vosso pequeno mundo. Já para não falar quando se bate um penálti, esse momento em que outros tiraram luvas e tu esticaste o corpo ao limite, tanto quando os nossos sonhos aumentaram nessa noite.
E se ontem, em algum minuto, pensaste que serias abafado por um estádio a gritar enquanto ias buscar a bola ao fundo das redes, ainda bem que nos livraste desse mal.

Sabes Rui Patrício, este post não tem quatro semanas mas o que fizeste neste Europeu ficará muito mais tempo nas nossas memórias. E de feio e gordinho tens pouco!


(foto daqui)

quarta-feira, julho 06, 2016

Hoje e só hoje




O meu acesso ao portal das finanças para ver o estado da declaração de IRS tem mais visualizações da minha parte do que qualquer outro assunto relacionado com futebol. Mas hoje vou tentar não pensar muito nisso, porque até dia 10 Portugal é futebol!

segunda-feira, julho 04, 2016

Não sei se é assim, mas gostava que fosse



Vivem na viela dos gatos. 
Ele é pintor e ela é costureira.
Conheceram-se numa noite de S. João, já lá vão trinta anos.